Cientistas apontam soluções para o enfrentamento da pandemia
18 de março de 2021 - 18:16
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) reuniu, nesta quinta-feira (18), em uma webconferência promovida pela sua Escola Superior de Gestão e Controle Francisco Juruena (ESGC), o doutor em Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ex-reitor da UFPel e coordenador do EPICOVID-19 (maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil), Pedro Hallal; e o doutor em Matemática (UFRGS), professor do Departamento de Matemática Pura e Aplicada (UFRGS) e divulgador científico e analista de dados da Covid-19, Álvaro Krüger Ramos. Os convidados, sob a mediação do cientista político e vice-diretor da ESGC, Marcelo Tuerlinckx Danéris, fizeram considerações sobre o tema “Um ano de Covid-19 – como sair da tragédia”.
Na abertura do encontro, o presidente do TCE-RS, conselheiro Estilac Xavier, prestou solidariedade a todas as famílias e amigos dos mais de 285 mil mortos pela Covid-19. “O País está entristecido e indignado, porque se pessoas como os professores Álvaro e Pedro tivessem sido ouvidas, assim como outros cientistas, muitas vidas teriam sido poupadas”, disse. O presidente manifestou, ainda, apoio ao professor Hallal, que foi alvo de denúncia da Controladoria-Geral da União por ter criticado o desempenho do presidente Jair Bolsonaro na condução do controle da epidemia no Brasil: “O senhor foi constrangido e tentaram lhe tirar o direito constitucional de liberdade de expressão. Quero também fazer um tributo à universidade, para que o Brasil possa, a partir do conhecimento e da educação, deixar de ser um país periférico”, opinou.
O professor Pedro Hallal apontou dois “erros eternos” praticados pelo Brasil desde o início da pandemia, sem os quais ele considera que o País teria poupado, ao menos, 210 mil das 285 mil vidas perdidas até o momento: a falta de uma política de testagem da Covid-19 e o não rastreamento dos contatos feitos pelos infectados. Hallal alertou, também, para quatro “pecados capitais” que continuam sendo praticados no País: a contestação da efetividade do uso de máscaras na prevenção do contágio; a falta de protocolos para o tratamento da doença; a desconsideração do lockdown como medida eficaz para o controle da pandemia; e a não programação de compra de vacinas por parte do Governo Federal. “Na maioria dos países do mundo, a pandemia está em declínio por conta de duas medidas: a aceleração da vacinação e a restrição da proliferação do coronavírus. Hoje, o Brasil representa uma ameaça à saúde mundial e, se não houver aplicação de vacinas em massa nas próximas semanas, a catástrofe poderá ser ainda maior”, defendeu. Para Hallal, é urgente uma grande mobilização para que o País consiga vacinar 1,5 milhão de pessoas por dia e um rigoroso lockdown de três semanas. “Se conseguíssemos parar de cometer os quatro pecados capitais e adotássemos essas duas medidas, teríamos bons resultados. Precisamos da ajuda da Organização Mundial da Saúde, da indústria farmacêutica e dos governos de outros países e dos Estados para controlar a doença. O governo federal também seria bem-vindo”, disse.
Na sequência, o professor Álvaro Krüger Ramos apresentou dados e projeções matemáticas sobre a evolução da Covid no Brasil e no Estado, afirmando que muitos óbitos poderiam ter sido evitados se o País tivesse combatido a desinformação e se atido à ciência. Para ele, é prioritário vacinar imediatamente, ao menos, 50 milhões de brasileiros (o que compreenderia as fases 1, 2 e 3 do Plano Nacional de Vacinação, abrangendo pessoas acima de 65 anos e com comorbidades). “Isso diminuiria um pouco a letalidade do vírus. Confio muito nos Institutos Butantã e Fiocruz. Não fossem eles, estaríamos em situação ainda mais catastrófica. Considerando a produção nacional e sendo otimista, poderemos imunizar esses 50 milhões de brasileiros, com duas doses de vacina, até o final de maio. Sendo pessimista, no final de julho ou início de agosto. Mas para atendermos aos 200 milhões de brasileiros, precisaremos de ajuda internacional”, opinou. Ele também defendeu a adoção, em curto prazo, de um rigoroso lockdown; no médio prazo, que o poder público incremente campanhas sobre a utilização correta e a distribuição de máscaras, aliadas à defesa do isolamento e do distanciamento social, bem como a valorização da ciência; e, no longo prazo, a vacinação em massa.
Acesse aqui a íntegra da webconferência.
Letícia Vargas - Assessoria de Comunicação Social
Audiodescrição: Imagem da webconferência, mostrando os cinco participantes do evento. A tela é dividida em cinco retângulos (fim da descrição).