Retorno das atividades pós-pandemia é tema de debate em live do TCE-RS
18 de setembro de 2020 - 17:00
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), por meio de sua Escola Superior de Gestão e Controle Francisco Juruena (ESGC), promoveu, nesta sexta-feira (18), um debate com especialistas da área da Saúde sobre o retorno à cotidianidade e às atividades pós-ápice da pandemia de Covid-19. Intitulada “Construindo o retorno possível”, a palestra online foi transmitida pelo canal do TCE-RS no YouTube.

Quatro servidoras do Tribunal que integram o Serviço de Perícias Médicas (SPM) participaram do evento, que teve como objetivo elencar os fatores que influenciam e as possibilidades para a volta às atividades do dia a dia: a psicóloga e psicanalista Carmen Franzen; a psiquiatra e psicoterapeuta Lilian Palazzo; e a pediatra Jamile Cerioli. A mediação do debate foi feita pela assistente social e terapeuta familiar Rosélda Stival.

Carmem Franzen conduziu sua fala para a análise dos efeitos do isolamento nas relações interpessoais, ultimamente calcadas no medo, na desconfiança e na insegurança. Ela também refletiu sobre o paradoxo entre o isolamento e o hipercontato decorrente da quarentena forçada: “Se, por um lado, temos a necessidade de isolamento para nos preservarmos, na contramão temos o excesso, o hipercontato com outras pessoas, geralmente do núcleo familiar, que é mais restrito. Ficamos com essas pessoas 24 horas por dia e esse contato produz sintomas, exacerbando conflitos, dificuldades e desequilíbrios. A ansiedade pelo retorno à normalidade também significa a necessidade de colocar um intervalo nas relações cotidianas muito próximas, pois precisamos sentir falta, ter saudade, vontade de ver o outro”. Carmem interpreta a fuga para redes sociais como uma tentativa de fazer esse intervalo e de provocar um pouco de distanciamento nas relações.

Já a psiquiatra e psicoterapeuta Lilian Palazzo provocou reflexões sobre as incertezas que, antes, ficavam nos planos a médio e longo prazo, mas que, desde março, passaram a fazer parte da nossa vida no imediato. “Ao dizer que estamos vivendo um ‘novo normal’, nos remetemos a uma estabilidade que tanto necessitamos. Mas também nos traz resignação, reforçando a ideia de que as nossas emoções já deveriam ter abrandado e nós já deveríamos ter nos acostumado com isso. Na tentativa de normalizar o que estamos vivendo, inibimos nossa capacidade de refletir e de resolver os problemas cotidianos”, avaliou.

Por fim, a pediatra Jamile Cerioli deu dicas de cuidados práticos no futuro retorno das atividades presenciais, reforçando que, mesmo com todos os sentimentos de insegurança, incerteza e desconfiança, teremos que ter coragem para retomar as atividades. “Esse retorno, provavelmente, não será o ideal quando acontecer, mas terá que ser o melhor possível. Para isso, é necessária a colaboração de todos. Cada um tem que se sentir responsável pela sua atitude, pensando no coletivo”, afirmou. Para ela, é importante direcionar o nosso comportamento adotando três atitudes fundamentais: disciplina, para criar rotinas e seguir os protocolos de segurança; generosidade, para fazer com que nos cuidemos pessoalmente, cuidemos dos outros e ajudemos os outros a se cuidarem; e atitude, com cada um de nós dando o exemplo e assumindo sua responsabilidade individual.

Acesse aqui o vídeo da webconferência na íntegra.

Letícia Vargas – Assessoria de Comunicação Social


ATENÇÃO: O atendimento às demandas dos gestores referentes à pandemia está sendo feito pelo email: covid19@tce.rs.gov.br e pelo telefone (51) 3214.9990.


Audiodescrição:Tela dividida em cinco retângulos, cada um mostrando o rosto de um dos participantes da webconferência (fim da descrição).